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Azzedine Alaïa, o designer que moldou a silhueta feminina

Na era da rapidez e do imediato, Azzedine Alaïa continuou a desenhar moda sem tempo.

Conhecido por redefinir a feminilidade e o sexy, especialmente a partir dos anos 70 e 80, Alaïa fica na história por saber como tornar as mulheres mais bonitas, mas sobretudo pela impressão digital que deixa na indústria – é um dos últimos artesãos da moda, um designer-artista, que até ao fim conseguiu reservar-se das pressões de uma indústria em ebulição. "Desenho alta-costura desde o início da minha carreira", dizia aos jornalistas no seu último desfile, em julho deste ano, para explicar o seu processo criativo. "Embora me tenha divertido – e ainda me divirta – com o pronto-a-vestir, as minhas raízes estão na alta-costura, todas as peças são feitas por mim, todos os estampados são desenhados por mim e depois desenvolvidos no meu ateliê, onde 30 pessoas se dedicam todos os dias a fazer peças couture."

Foi o seu primeiro desfile em seis anos, com Naomi Campbell, amiga de sempre, a pisar a passerelle, e a perplexidade de um meio pouco habituado a ver Alaia nos calendários das semanas de moda. "Os desfiles não são importantes para mim, são uma forma de expressar o meu trabalho", cita Suzy Menkes, editora internacional da Vogue.

Alaïa, que morreu aos 82 anos em consequência de uma falha cardíaca, nasceu na Tunísia, onde estudou escultura (é daí que vem o seu talento para criar pequenas revoluções da silhueta a cada nova coleção), e mudou-se para Paris nos anos 50 para seguir moda. Depois de vários anos a admirar as páginas da Vogue, passou pelos ateliês de maisons como a Christian Dior, a Guy Laroche ou a Thierry Mugler até abrir um espaço num apartamento na Rue de Bellechasse, no final dos anos 70, onde começou a criar vestidos para mulheres como Marie-Hélène de Rothschild e Greta Garbo. Na década seguinte, apresenta a sua primeira coleção de pronto-a-vestir e as suas peças conquistam o mundo, da Europa aos Estados Unidos, onde abre uma boutique em 88.

Tudo na sua forma de olhar a moda se tornou particular. Da timidez às mulheres de que se rodeou sempre, da aristocracia parisiense às realezas da moda e das artes, de Naomi Campbell a Grace Jones, para quem desenhou várias vezes. Em 2015, a editora de Beleza da Máxima escrevia sobre isso mesmo, depois de uma visita inesperada à casa do costureiro, no n.º 18 da Rue de la Verrerie, no Marais, onde jantou para conhecer o lançamento do primeiro perfume com a assinatura do designer: "Mantém-se reservado, não cede à publicidade ou à promoção para vender os seus produtos, não faz saldos, e não recebe estilistas, apenas a mulher que vai vestir o vestido. Continua a vestir-se de preto dos pés à cabeça, e retrai-se quando é aplaudido. Marketing ou timidez? Estamos decididos a apostar na segunda", escreveu a Máxima na altura.

Em vez de fazer esquissos no papel, Alaia preferia imaginar as suas peças a três dimensões, como uma escultura que depois transformava em peças de roupa. Trabalhava no ateliê noite dentro enquanto ouvia os diálogos dos seus filmes antigos preferidos. "Gosto de mulheres", disse ao The Guardian em 2013. "Nunca penso em fazer coisas novas, ou em ser criativo, mas sim em criar peças de roupa que façam as mulheres bonitas."

 

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