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Au revoir, Colette: 9 perguntas a uma das fundadoras

A loja, santuário do cool que se tornou um espaço de referência no universo da moda, vai fechar as portas em dezembro, vinte anos depois da sua inauguração. E depois do adeus? Falámos com a cofundadora Sarah Andelman, filha de Madame Colette.
Por Carolina Carvalho, 20.09.2017

A história da loja batizada com o nome da sua fundadora e localizada numa das ruas mais longas e famosas de Paris, mais precisamente no n.º 213 da Rue de Saint-Honoré, começa em 1997. Colette Roussaux e a filha, Sarah Andelman, idealizaram um espaço diferente de tudo o que conheciam e abriram uma concept store que serviria de inspiração a todas as outras que, a seguir, arriscaram misturar moda, cultura e lifestyle sob o mesmo teto. A Colette dificilmente passa despercebida, seja pelas montras ou pelo público que se acumula à porta, como se da entrada de um evento se tratasse. Em três pisos há espaço para um pouco de tudo: as peças-chave da moda da estação, livros e revistas escolhidos a dedo, produtos de beleza, discos e DVD com rótulo de exclusividade, até comida! Contudo, a marca anunciou, num post no Instagram a 12 de julho, que "todas as coisas boas têm um fim, depois de 20 anos maravilhosos, a Colette deve fechar as suas portas a 20 de dezembro deste ano". Porque, como explicam, a fundadora-mãe decidiu retirar-se e a Colette não faz sentido sem ela. A filha, Sarah Andelman, cofundadora e diretora criativa, fala-nos da mística deste espaço.

 

Como começou o projeto da loja Colette?

Queríamos abrir uma loja com tudo o que gostamos. Em 1997 costumávamos ver coisas ótimas em outros países, impossíveis de encontrar em Paris. Queríamos um espaço onde a moda pudesse encontrar o design, a beleza, a arte, a rua e a comida.

E este logotipo, com duas bolas azuis, que já se tornou um ícone, de onde surgiu?

Foi sugerido por um amigo nosso, o Guillaume Wolf. Era fácil de reconhecer. No início costumávamos mudar a cor de seis em seis meses e, mais tarde, ficámos pelo azul.

Nem só de peças de grandes nomes da moda se faz a Colette. Até onde vai na busca de produtos Colette?

Tento manter a mente aberta e seguir o meu instinto. Faço essa pesquisa nas minhas viagens, a ler revistas, na Internet e, claro, nas redes sociais.

Qual foi o produto mais inusitado colocado à venda na Colette?

Boa pergunta! Tivemos muitas coisas esquisitas… Mas de repente lembro-me da fragrância Everything, de Lernert & Sander, que era uma mistura de todos os perfumes lançados em 2012.

O n.º 213 da Rue Saint-Honoré tornou-se uma morada famosa. Como foram parar a este lugar?

Estávamos a viver no mesmo edifício e o espaço estava disponível. Visitámo-lo por curiosidade e a loja surgiu imediata e naturalmente.

Porque decidiram fechar a Colette?

Foram 20 anos de uma grande aventura e um final feliz… É altura de virar a página.

Quais os seus projetos para depois do fecho da Colette?

Continuar colaborações com marcas, artistas, comida, etc.

Ao longo destes 20 anos a seguir a moda de perto quais foram as maiores mudanças a que assistiu?

A Internet e as redes sociais mudaram o ritmo, tudo tem de ser mais rápido… Acho que as grandes casas se estão a desafiar a si próprias mais do que nunca, para se manterem no circuito.

Depois de 20 de dezembro alguns de nós vão dizer "eu fui à Colette". E a quem nunca foi, como definiria a Colette?

Colette é, talvez, mais do que uma loja. É uma experiência, uma energia, um estado de alma onde pessoas de diferentes culturas e mundos se podiam encontrar e desfrutar.

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