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Efeito viral (ou o fenómeno Hawkers)

Provavelmente já ouviu falar da Hawkers. Os seus criadores nunca se interessaram por moda, mas sabem tudo sobre lançar uma marca, criar buzz online e ver um império construir-se à velocidade da luz.
Por Carlota Morais Pires, 02.09.2017

Iñaki Soriano, Pablo Sánchez Lozano e os irmãos David e Alejandro Moreno conheceram-se em 2012, altura em que se candidataram a um concurso de empreendedorismo. Não ganharam o prémio, mas agora que olham para trás, não se arrependem de não ter feito uma proposta diferente. Tudo o que aconteceu só serviu para lhes despertar a vontade de começar um projeto em nome próprio.

O primeiro negócio que criaram foi um flop mas, ainda assim, não se deixaram desmotivar e tiraram partido de tudo o que aprenderam para começar de novo. "Descobrimos que podíamos trabalhar como freelancers para outras marcas, porque sabíamos criar bons sites muito rapidamente. Com esta segunda tentativa tivemos mais sucesso e todas as plataformas online que construíamos começaram a crescer muito", explica David Moreno em entrevista à Máxima. "Voltámos a pensar em lançar uma marca e, em vez de pensarmos num objeto que gostássemos especialmente, quisemos antecipar a forma como o comunicaríamos. Escolher o produto foi simples, só tivemos de discutir o que poderia resultar. Olhámos para trás e para tudo o que criámos e chegámos à conclusão de que os óculos de sol eram o produto com mais potencial, mais fáceis de vender online", avança.

A ligação dos quatro espanhóis à moda era nula, mas sabiam muito sobre marketing, o que os levou a lançar a Hawkers. "Tínhamos alguns requisitos: os óculos não podiam ter género nem diferentes tamanhos", acrescenta David. "Na altura, não era comum comprar óculos de sol online, por isso o nosso objetivo era tornar tudo muito fácil".

A primeira regra passou por simplificar o mais possível, desde o design à produção, compra, distribuição e envio. Depois, apostaram essencialmente numa estratégia de comunicação sólida e virada para o futuro. "Começámos a tirar partido do Facebook e das redes sociais quando ainda ninguém o fazia", diz David. "Investimos apenas um euro no nosso primeiro anúncio pago no Facebook e conseguimos um grande retorno. Por isso quisemos experimentar investir mais e ver onde chegávamos". A partir daí começaram a construir um império. Passado pouco mais de três anos do lançamento do primeiro par de óculos de sol online, a Hawkers regista uma facturação de aproximadamente 70 milhões de euros (o fundador diz que o novo objetivo é atingir os 100 milhões) e está presente em mais de cinquenta países.

"A ideia é que a Hawkers seja para todos. Queremos criar óculos quase universais, para qualquer idade, para todos os estilos, que democratizem as tendências com preços acessíveis", explica David Moreno quando tentamos saber os segredos por detrás da evolução monumental da marca. Nas coleções descobrimos óculos de sol clássicos e outros que refletem as tendências de agora, na forma, nas cores e nas texturas inesperadas. Os preços oscilam entre os 30 e os 40 euros e a qualidade das lentes não é inferior a outras marcas de eyewear com outros valores de venda no mercado. "Era muito difícil encontrar óculos de sol a preços acessíveis e nós conseguimos mudar isso. Acho que fomos uma das primeiras marcas a fazê-lo", afirma o co-fundador da Hawkers. 

Hoje são um estudo de caso na indústria, pela forma como revolucionaram o marketing digital e a comunicação de marca através de campanhas virais no Facebook, Twitter e Instagram. Foram pioneiros – e até chegam a criar estratégias de crescimento para outras etiquetas a partir do zero. "Mais do que o design, o que nos interessa é chegar às pessoas de uma nova forma. Por isso temos de ser inovadores e dar-lhes aquilo que elas vão querer mas ainda não sabem. É quase como estar à frente do tempo e passa tudo pela comunicação", diz-nos. "Há uma nova geração que compreende que não basta estar nas revistas. É preciso ser uma power brand e fazer parte da vida das pessoas. Temos de criar impacto e ser relevantes", garante.

Entretanto, uniram-se ao grupo Inditex, criaram coleções de óculos em parcerias com a Pull & Bear e têm corners no El Corte Inglés. Agora é altura de abrir o seu primeiro espaço, uma flagship store no centro de Madrid. Estes são alguns os projetos que têm em mãos agora, mas continuam a olhar para os próximos tempos com ambição e vontade de desafiar o que já existe com ideias novas e um sopro de futuro. "Pensamos a curto prazo mas queremos envolver-nos em mais projetos e ir além dos modelos de negócio. Queremos ajudar as comunidades locais em países em desenvolvimento e empregar pessoas, dar-lhes mais oportunidades. Vamos olhar para o lado humano da indústria agora".  

      

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