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Sofia de Betak: o livro de viagens de uma influencer

Sofia Sánchez de Betak fez da arte de viajar uma profissão e da moda uma assinatura. O lançamento do seu livro Travels with Chufy é o pretexto para a conhecermos melhor.
Por Carolina Carvalho, 16.06.2017

Influencer. Este termo tornou-se quase um carimbo do século XXI. Atribuímo-lo às pessoas que nos inspiram e talvez seja esta a melhor maneira de definir Sofia Sánchez de Betak. É argentina e nasceu em Buenos Aires, onde começou por ser designer gráfica, focada na temática das viagens, mas foi quando se mudou para Nova Iorque e começou a trabalhar na agência criativa Lloyd & Co que descobriu os universos da moda e da beleza. Mas o que torna Sofia inspiradora? Além da beleza inquestionável e da paixão por viagens, tem ainda um estilo único que faz brilhar o melhor da moda, sem se render de forma evidente às tendências da estação, fazendo com que a troca de slippers Gucci por botas de montanha nunca a tire do seu pedestal.

Sofia navega por publicações de prestígio, como a Condé Nast Traveler ou a Vogue, tanto como colaboradora como no papel de musa e em dezembro 2014 casou-se com Alexandre de Betak (o francês fundador da agência Bureau Betak e produtor de eventos de moda, como desfiles e exposições) na Patagónia, numa festa com cerca de 300 convidados e quatro vestidos de noiva. Hoje, é diretora criativa e consultora de viagens e de moda. Como it girl, não falha os cenários obrigatórios, como a gala do Metropolitan Museum de Nova Iorque ou a primeira fila dos desfiles na semana de moda de Paris. Agora, assume também o papel de autora e põe o melhor das suas experiências em livro: Travels with Chufy: Confidential Destinations, da editora Assouline (€47, aproximadamente), reúne 24 destinos através de imagens inspiradoras e sugestões muito pessoais. Diz na introdução do seu livro que "onde quer que vá, a minha procura continua a mesma – por locais que consigam um equilíbrio entre refinamento, qualidade e sentido do espaço; aqueles que têm pouca consideração pela escala de índices de luxo tradicionais; os lugares que têm a sensação de serem certos. Este livro é uma coleção dos que encontrei por todo o mundo, seguindo estes critérios incorporados em mim, quer sejam destinos longínquos ou apenas sítios escondidos em locais já familiares". Podemos também encontrá-la em no site Chufy World, no Instagram @chufy e aqui, em entrevista.

Como surgiu a ideia deste livro?

Os meus pais trabalham na indústria das viagens e eu sempre tive uma paixão por descobrir e partilhar lugares especiais com quem eu acho que vai apreciá-los. Bastou apenas ter a altura certa e o parceiro certo para fazer acontecer!

Dedica o livro à sua mãe. Porquê?

Porque ela é a minha deusa das viagens, sempre a improvisar viagens fabulosas, a ensinar-me que a melhor maneira de aprender é através das viagens e ela tem razão! Nada se me cola melhor à pele como o que aprendi a explorar novos lugares. Quando completei 17 anos já tinha viajado com ela por muitos países da Europa, muitos estados dos EUA, Médio Oriente, Egito, Jordânia, Austrália, Nova Zelândia, América, Chile, Brasil, Uruguai, México, Caraíbas, Equador, Canadá, Quénia, Marrocos e muitos mais! She made quite a point!

Consegue destacar três destinos do livro e explicar porquê?

Estancia Arroyo Verde, uma estância mística escondida no norte da Patagónia, onde passei inúmeros verões da minha infância. Mike’s Camp, no Quénia, que descobri no verão passado e onde me apaixonei pelas vistas remotas e imaculadas. E a comida era de se morrer… Sa Palosa, em Maiorca, porque pertence e é gerida pelos melhores seres humanos que já conheci.

Costuma trazer algum tipo de recordação das suas viagens?

Sempre! É em viagem que faço quase todas as minhas compras!

Viaja para locais muito diferentes. Como decide o que levar na mala?

Eu gosto de me vestir para o destino. Se for para um local colorido como Positano, levo padrões na bagagem. Se vou num safari, levo muitos beges e verdes. Se vou para a Grécia, levo algo de branco e azul… Mas levo sempre um confortável par de sandálias!

De onde vem o seu prazer por viajar?

Da minha mãe.

Explique-nos o nome Chufy?

É a minha alcunha de sempre. Sofia, Sofi, Chofi, Chufy!

Fale-nos do seu passado antes de ser uma influencer internacional.

Sou diretora de arte, estive a trabalhar para marcas de moda e beleza durante mais de dez anos como criativa de publicidade e editorial. O meu primeiro trabalho em Nova Iorque foi na Lloyd & Co, onde trabalhei em toda a publicidade para a Estée Lauder, fotografei com Peter Lindbergh, Craig McDean, etc… Alguns anos mais tarde o Instagram entrou nas nossas vidas e agora consigo muitas mais oportunidades graças à exposição.

Quando e porque é que se mudou para Nova Iorque?

Mudei-me para Nova Iorque há cerca de oito anos. Sempre sonhei ser a melhor no que fazia e achei que Nova Iorque tinha os melhores estúdios de design do mundo, por isso mudei-me para lá. Passado um tempo percebi que estava completamente realizada a fazer o que gosto rodeada de pessoas incrivelmente talentosas e a esforçar-me o melhor que podia, independentemente do resto do mundo. Por isso hoje sou feliz a fazer direção de arte, mas também a explorar muitas outras paixões que descobri pelo caminho.

Qual a sua relação com a moda e como começou?

Mudei-me para Nova Iorque com um plano, encontrar um trabalho, e o primeiro que encontrei foi na moda, por isso tive de aprender depressa os meandros do negócio. Hoje gosto de brincar com ela, mas sem nunca a levar demasiado a sério. Acho-a fascinante enquanto negócio porque está em constante movimento e tem talentos incrivelmente criativos.

É um ícone de streetstyle nas semanas de moda. Acha que o estilo se pode aprender ou é algo natural em cada pessoa?

Acho que o estilo é sobrevalorizado. Cada pessoa deve usar o que a faz sentir-se confortável e confiante e nunca esquecer de se divertir com isso. Se compreenderes o teu corpo e a tua personalidade, vais dominar o teu estilo, seja ele qual for.

O que é mais fascinante na moda, na sua opinião?

Os criativos que nela se movem.

Explique-nos o conceito de Chufy.com.

Chufy é a minha marca, uma linha de pronto-a-vestir na qual cada coleção é inspirada numa viagem e num destino. Adoro vestir-me de acordo com os locais onde vou, faço a mala a pensar especificamente nas roupas e na paleta de cores locais e quero que a minha marca seja o local de referência onde encontrar o look perfeito para aquela viagem muito especial que estás a planear! Ou usa essas roupas simplesmente em qualquer lado que te pareça bem, mas lembra-te de um local especial enquanto as estiveres a usar. www.chufy.world é onde vendo as minhas coleções.

Tem estado concentrada em lançar a sua própria marca…

Sim! É uma linha inspirada em viagens: Chufy. Será lançada na Bergdorf Goodman juntamente com o livro, a 1 de junho, depois na Colette, Matches Fashion e The Webster.

Podemos vê-la a usar roupas fabulosas na primeira fila de um desfile numa semana de moda, como também podemos vê-la numa paisagem única no deserto. Qual é a sua definição de luxo?

Conectar-me com o ambiente e apreciar cada momento, independentemente de onde estiver. Viajar localmente, explorar fora dos percursos usuais, conhecer os locais, encontrar o local certo para ficar para conseguir o melhor da experiência. Luxo é a experiência.

E, finalmente, de todas as suas viagens qual foi o local mais surpreendente onde já esteve?

Antártida, por causa das paisagens sempre encantadoras. E também pela desconexão que se sente lá, completamente isolada num mundo imaculado.

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