Celebridades

O método Silverthorn (ou como ser um génio em arrumações)

Entrevistámos a autora do livro Comece pela Gaveta das Meias. Veja o vídeo com a miniaula sobre como arrumar t-shirts e meias de forma genial.
Por Rita Silva Avelar, 11.05.2017
Chamam-lhe organizadora de celebridades. Mas não só. A britânica Vicky Silverthorn já abraçou todo o tipo de projetos relacionados com arrumação e decoração e até já entrou em casas de personalidades célebres, como Jamie Dornan, e tratou da organização de tours como a de Lily Allen. Leia a entrevista e não perca o vídeo.

Lembra-se da primeira vez que arrumou algo?
Era pequena e tinha acabado de receber uma "cama-cabine", uma cama com uma escada e uma secretária, e senti-me mesmo crescida. Na mesa tinha uma chaleira, copos, canecas, colheres e tornei tudo aquilo numa pequena "coffee station". Tinha dez anos! Nunca me tinham perguntado isso.

Hoje em dia qual é a secção da casa que mais gosta de organizar?
A parte mais satisfatória é sem dúvida o guarda-roupa, porque faz uma diferença enorme na vida das pessoas. Uma das mais úteis, mas não das mais entusiasmantes, é a cozinha, porque torna tudo mais simples e prático. É incrível a felicidade que as pessoas recebem, especialmente nos dias seguintes à nossa partida, tudo é mais fácil e sem stress. É algo gratificante de ver.

Qual foi o trabalho mais desafiante até hoje?
Acha que sabe a resposta? Tivemos um cliente que tinha papelada desde os anos 70 e estava em caixas e caixas… Sem dúvida que foi o mais difícil. Tivemos de tomar decisões acerca de guardar ou não as coisas e tivemos de manter quase tudo. Eu sabia que não havia necessidade de guardar aqueles papéis, eram informação sem uso com mais de 30 anos – foi frustrante porque tivemos de encontrar espaço para aquilo, mas também sabíamos que nunca mais precisaria daqueles papéis.

E o mais simples?
Os trabalhos mais fáceis são de clientes que sabem exatamente o que querem, mas não conseguiram ter a coragem de se livrar das coisas. Os melhores dias são quando entramos na casa e as pessoas percebem de imediato que têm apoio e as decisões começam a fluir.

A felicidade pode estar em começar por arrumar uma simples gaveta?
Sem dúvida. A felicidade da vida não, mas pensar e fazer este tipo de coisas liberta a tua mente. Se esta sala estivesse cheia de desordem, conseguiríamos pensar de forma clara? Eu penso que as pessoas encontram felicidade ao ver menos coisas e ver mais ordem é algo visual que está relacionado com a parte psicológica.

Porque é tão difícil livrarmo-nos de coisas, no geral?
É medo de deixar ir, eu acho. Há estudos que explicam que o medo que temos de "deixar ir" certas coisas pode ser sentido em forma de dor física, o que é fascinante. As pessoas têm medo do que pode acontecer a seguir: o que pode acontecer se deitarem qualquer coisa fora e depois precisarem. Na verdade, mesmo que nos livremos de metade das coisas que temos, desde que todos os dias consigamos viver, ter relações felizes, experiências agradáveis, ser simplesmente feliz – não precisamos de nada material. A verdadeira felicidade na vida vem da conversação, da experiência, memórias, e divertirmo-nos lá fora, no mundo.
O meu maior conselho para as pessoas que vivem com este tipo de medo é libertarem-se de algumas coisas e ver que efeito isso tem nas suas vidas, e quando perceberem que não tem efeito nenhum e que continuam bem, podem continuar a fazê-lo um pouco mais, e um pouco mais. A pior coisa que pode acontecer é um dia acordar e sentir falta de uma coisa, seis meses depois de ter deitado fora, é um pensamento: "Ah! Devia ter guardado aquilo." É só isto, e já passou.

Comece pela Gaveta das Meias, de Vicky Silverthorn, €14,99 (Nascente).
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