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Na rota do ouro: Ana Rente

Fomos conhecer e fotografar cinco atletas que integram a delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos antes de partirem para do Rio de Janeiro e dedicamos-lhes o artigo Na Rota do Ouro na edição de agosto da revista. No dia em que cada uma delas se estreia na competição recuperamos os seus testemunhos. Hoje é a vez Ana Rente (trampolim).
Por Máxima, 12.08.2016
Embora esteja habituada a estar sempre no ar tem os pés bem assentes na terra. Ana Rente é natural de Tomar onde começou a praticar ginástica, mas acabou por ir para Lisboa estudar e fez do Lisboa Ginásio Clube, na zona dos Anjos, a sua segunda casa. Da ginástica passou para o trampolim e, de salto em salto, já leva 20 anos de carreira desportiva e esta é a terceira participação em Jogos Olímpicos, mas é a primeira vez já como médica de família. Até há poucos meses conciliava os treinos com a Medicina Geral e Familiar e garante que o desporto lhe tem dado muitos motivos de orgulho e experiências que vai guardar para sempre.
 
Tudo começou com a ginástica acrobática
"Comecei com cerca de cinco anos na formação gímnica e por volta dos sete anos os meus pais puseram-me em diversos desportos como é habitual: experimentei natação, judo, o que mais gostei foi a ginástica acrobática. No mesmo ginásio onde fazia a acrobática, e para aprender a fazer os saltos (porque eu era aquela que era mandada ao ar) passávamos um bocadinho pelo trampolim. Sempre gostei muito da sensação de voar e lembro-me que nos treinos ficava a olhar para os meninos que saltavam do outro lado do pavilhão. Como os treinadores dos trampolins sempre disseram que eu tinha jeito, sempre fiz algumas competições (distritais, regionais e até nacionais) ao mesmo tempo que fazia acrobática."
 
E mais tarde foi a vez do trampolim
"Por volta dos doze anos, eu fazia pares, o meu par era mais velho e teve de ir estudar para a Universidade e veio para Lisboa (eu sou de Tomar). O passo seguinte na carreira da acrobática era, em vez de ser mandada ao ar, ser a pessoa que mandava os outros lá para cima e isso não me agradou muito na altura, eu gostava era de ser a pessoa que está lá em cima a fazer macacadas. Éa evolução normal. Começamos a ganhar peso, a crescer. Não há nada que contrarie isso. Não podemos ser "volante" (como chamamos) para sempre. Como eu gostava dos trampolins e como já tinha alguma formação, decidi ir fazer apenas trampolins e foi até hoje."
 
Uma médica nas alturas
"Tento conciliar ao máximo. Sou mestre em medicina, já estava a exercer, mas em junho e julho parei e estou a focar-me apenas nos treinos porque já estava a ser complicado gerir as duas carreiras... Mas agora como não estou a trabalhar estou-me a preocupar mais em treinar também de manhã, ao fim do dia, fazer um reforço muscular, estou a ter treinos mais completos. Varia muito, posso fazer treinos de 2 horas e meia, se for o bidiário faço treinos de cinco horas."
 
Uma grande lição ao fim de 20 anos de carreira desportiva
"Não podemos acreditar apenas no nosso talento, o trabalho que está por trás de um atleta é o mais importante. O mais importante na vida de um atleta é trabalhar e estar motivado e ter confiança naquilo para que trabalha."
 
Por: Carolina Carvalho. Fotografia de Gonçalo F. Santos. Realização de Susana Marques Pinto

Veja também as entrevistas a Telma Santos, e a Sara Carmo e Victoria Kaminskaya.
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