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Harvey Weinstein contratou jornalistas e espiões para evitar denúncias de violações

Falsos advogados, entrevistas suspeitas e empresas que nunca existiram fizeram parte do plano de Weinstein para silenciar alegadas vítimas.
Por Marta Carvalho, 08.11.2017
Ronan Farrow, o jornalista e ativista que já tinha publicado uma investigação na The New Yorker sobre os alegados abusos de Harvey Weinstein, publicou esta segunda-feira um novo artigo para a revista, que vai ainda mais longe. O jornalista revela que o produtor tinha contratado, através do advogado David Boies, uma agência de segurança fundada e maioritariamente formada por ex-oficiais da Mossad chamada Black Cube com o objetivo de investigar Rose McGowan. A atriz é uma das vítimas de violação de Weinstein e estava, na altura, a tentar acusá-lo publicamente.

Weinstein começou a recorrer a este tipo de agências de segurança privadas já em 2016, de forma a tentar travar a divulgação dos seus ataques sexuais. As entidades que trabalharam para o produtor recolhiam informação das várias vítimas que ameaçavam denunciá-lo e dos jornalistas com quem estas estariam a falar. Além da Black Cube, Harvey Weinstein contratou também a Kroll, uma das maiores agências de investigação na área do crime económico.

Rose McGowan, que afirmou ter sido violada pelo produtor quando tinha 23 anos e acusou a Amazon Studios de ter cancelado uma série de televisão da qual iria fazer parte, foi visitada por uma agente da Black Cube que se fez passar por uma advogada preocupada em lutar pelos direitos das mulheres.
Esta falsa advogada, Diana Flip, pertencia a uma empresa de gestão de fortunas com sede em Londres chamada Reubens Capital Partners, que mais tarde se confirmou ser completamente inventada pela Black Cube. Flip ofereceu 60 mil dólares a McGowan para discursar numa gala de um projeto destinado a combater a discriminação contra as mulheres no local de trabalho, numa tentativa de testar a fidelidade que a atriz tinha a um contrato de cem mil dólares assinado em troca do seu silêncio sobre os abusos de Weinstein.

A atriz e a advogada encontraram-se várias vezes e a última chegou mesmo a contactar Ronan Farrow sobre a mesma gala, mas o jornalista considerou prudente não responder. No final, descobriu-se que Flip era uma antiga oficial das forças de segurança israelitas, atualmente a trabalhar para a Black Cube. McGown reconheceu-a imediatamente assim que viu uma fotografia da agente.

A acompanhar o artigo de Farrow, a New Yorker apresenta um contrato firmado em julho de 2017 entre a Black Cube e o advogado David Boies, em que a empresa israelita se compromete a tentar reunir informação que impeça a publicação de um artigo centrado em acusações de assédio sexual contra Weinstein e ainda a obter o manuscrito de um livro de memórias que Rose McGowan estaria a escrever. Mas Weinstein não se ficou por aqui: o produtor encarregou esta e outras agências de "coligir informação sobre dezenas de pessoas e de compilar perfis psicológicos que, em alguns casos, relatavam a vida sexual dos visados".

O artigo de Ronan Farrow acrescenta ainda que a Black Cube pagou a um jornalista de investigação para fazer várias entrevistas cujos resultados eram depois enviados pela empresa a Weinstein. Além de Rose, que foi uma das entrevistadas, a atriz Anabella Sciorra (outra alegada vítima do produtor) também foi convidada, mas recusou ao suspeitar de que tudo não passava de um teste de Weinstein.
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