Especiais

Entrevista: Sansa ao poder

A sétima temporada estreia de Guerra dos Tronos a 16 de julho. Sophie Turner fala à Máxima nos desafios de ser Sansa Stark desde os 13 anos e no orgulho de ver a personagem tornar-se uma líder.
Por João Tomé, 12.07.2017
As aparências iludem. Sophie Turner começou como a frágil, composta, recatada e elegante senhora da nobreza de Winterfell, em Guerra dos Tronos, tinha 13 anos. Quase nove anos depois de ter começado a gravar a série a que chama "casa" e "família", Sophie cresceu e viu Sansa evoluir, tornando-se uma mulher determinada e poderosa, num mundo que passou de domínio masculino para liderança feminina.

Ao entrar no quarto de hotel londrino onde a entrevistámos, o ambiente parece ficar em modo ‘câmara lenta’ para ver a jovem de 21 anos passar. Com saltos altos, elevando ainda mais a já alta Sophie, a atriz loura e de intensos olhos azuis respira elegância e luminosidade dos pés à cabeça. O discurso é de uma mulher inteligente e resistente, habituada aos desafios das gravações de Guerra dos Tronos, da lama e gelo ao calor tórrido. A sua carreira vai de vento em popa, ou não entrasse desde 2016 na nova saga de X-Men, como Jean Grey, e ainda tenha mais uma temporada de Guerra dos Tronos para gravar. Que os ‘jogos’comecem.
 
Como foi crescer no meio desta série?
Foi mesmo crescer com a série. São cinco a seis meses de cada ano fora, a participar neste mundo. Mas nunca foi algo caótico ou louco. Comecei aos 13 anos e tinha sempre de voltar à escola… Há tantas personagens na série que dava para participar três dias e voltar a casa uma semana. Nunca senti que fosse disruptivo nos estudos ou invasivo para a minha vida. Era uma espécie de um hobby mais intenso. Foi bem divertido poder crescer assim.
 
Na sexta temporada mostrou um lado mais negro e teve a sua vingança. Começou com uma personagem doce, mas agora tem um lado mau...
Não diria mau. Acho que matar o Ramsey foi pelo bem do povo [risos]. Houve um momento interessante, após a morte dele, em que ela sorri e nos perguntamos se é só o alívio por ter morto este homem terrível que a torturou tanto tempo, ou se está mais sádica. Mas ela não é maquiavélica. Continua a ser uma Stark e mantém os valores morais. Claro que o tempo a mudou.
 
Os Starks estão mais impiedosos com o passar do tempo...
Os Starks dependem uns dos outros. Acho que, para se verem novamente, para se tornarem mais fortes, para salvar Winterfell e o Norte, eles têm uma missão e isso implica matar os maus. Outra coisa que os Starks aprenderam foi que o pai, o Ned Stark, morreu porque foi ingénuo, não foi implacável e confiou em demasia. Eles não são os mesmos Starks que eram antes, mas continuam a ser boas pessoas.
 
O momento mais desafiante nas gravações em sete temporadas foi a cena de violação?
Sim. Foi interessante, porque é o mesmo que acontece em qualquer cena de sexo. O ambiente é muito estéril e não sentimos que estamos mesmo a gravar aquilo. Durante 30 segundos temos de nos colocar mentalmente naquele lugar de violação, mas depois alguém grita "corta", e trazem-nos fruta. É confortável demais. O mais difícil para mim foi a noite antes de gravar, porque me ia torturando com a cena e com a responsabilidade, para poder fazer justiça a uma situação tão difícil e à personagem, bem como os efeitos daquilo nela.
 
Ficou surpreendida pelas reações à cena?
Não fiquei totalmente surpreendida. Houve um grande burburinho mundial e tornou-se trending topic no Twitter, com muitas notícias. No fim de contas fiquei contente por criar uma reação dessas, com controvérsia, porque é um tabu. É importante falar nisto de vez em quando, porque acontece constantemente e é importante criar diálogo, para que as pessoas que sofrem possam sentir que podem partilhar. Senti-me bem com reações de indignação, porque pude explicar que devem ficar indignados é com as violações verdadeiras. E isso inspirou-me para me tornar uma ativista pelas pessoas que têm de atravessar este drama.
 
No início eram os homens que tinham os cargos de chefia, mas agora há mais mulheres. Sente que pode mostrar um outro lado como atriz, com esta evolução na Sansa?
Sim, sem dúvida! Uma das coisas incríveis nesta série é ser baseada em tempos medievais, por isso há limites de sociedade patriarcal. Com o tempo, estas mulheres conseguiram quebrar esses limites e estão a tornar-se poderosas. Até o teaser para a nova temporada mostra a Daenerys, a Cerci e só depois o Jon. Há mais mulheres do que homens a liderar e isso é refrescante para uma série com ar medieval. Para mim, é excitante, porque a minha personagem começou como o estereótipo de jovem senhora de classe alta. E saiu do seu papel composto para lutar agora com o irmão, para que possa ser ouvida em matérias como batalhas. É um privilégio estar numa série que dá importância às mulheres como seres poderosos.
 
E como vê o adeus à personagem? A última temporada chega já em 2018.
Vou sentir falta da Sansa. Foram quase nove anos. Estou um pouco aterrorizada. Tem sido uma rede de segurança para mim. A Sansa é alguém em quem posso confiar e inspira-me. Todas as temporadas há algo de novo nela que também influencia a minha vida. Vai custar perdê-la e perder esta família com quem cresci e não ter um trabalho garantido no verão [risos].
 
Ao longo destes anos tem atuado em cenários reais incríveis, do sol na Croácia ao gelo da Islândia. Tem um tipo de cenário favorito?
Não estive muito tempo na neve (usam máquinas de neve em Belfast). Mas adorei gravar na Croácia, era lindíssimo, mas havia sempre o risco de desmaiar, porque estava muito calor no verão. Quando voltava para a caravana demorava meia hora para tirar o corpete. Belfast é divertido mas é tão lamacento e todos os dias voltamos para a caravana, tiramos os sapatos e deixamos lama em todo o lado. Mas divirto-me tanto nestes cenários desafiantes, ficando suja e suada e tendo de parecer uma senhora composta para a câmara.
 
Vê ambição na Sansa para reclamar o trono?
Ela não tem esses planos. Já deixou isso de lado, está feliz por estar em casa e quer ver a família de novo. Quer juntar todos novamente e voltar a uma certa normalidade – são mais fortes como unidade. Antes, alguém me perguntou se ela vai casar e ter filhos. E questiono-me se ela quer mesmo isso nesta altura. Ela só quer a família de volta e ser respeitada. E espero que ela consiga isso...
 
Espera um final feliz para a Sansa?
[Risos] Nem por isso. Acho que será gratificante ter um típico final feliz, mas ao mesmo tempo não quero isso. Não quero essa satisfação. Talvez seja "giro" ter uma cena de morte, também pode ser mais interessante para quem vê. Uma morte que dure um episódio inteiro, por exemplo. Uma morte às mãos de um membro dos Starks seria bem interessante. Quem sabe?
Partilhar
Ver comentários
Últimas notícias
Vídeos recomendados
Outras notícias Cofina
0 Comentários
Subscrever newsletter Receba diariamente no seu email as notícias que selecionamos para si!