Família

Vacinar, sim ou não?

O movimento antivacinação continua a ‘contagiar’ mães em todo o mundo. Também em Portugal. Mas os técnicos de saúde estão imunes à corrente e alertam que as vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças.
Por Máxima, 18.04.2017
A polémica rebentou no início de 2015, com o surto de sarampo na Disneylândia, na Califórnia. Agora, também Portugal está em alerta com os 23 casos de sarampo diagnosticados desde o início de janeiro. Só em abril, a Direção-Geral de Saúde (DGS) confirmou 12 casos. Relembramos o artigo que publicámos há dois anos, da jornalista Paula Cristóvão Santos.

A epidemia acontece 15 anos após a doença ter sido considerada erradicada nos Estados Unidos e, segundo as entidades de saúde, deve-se ao crescimento do movimento antivacinas no país. Um grupo de pediatras comunicou já a decisão de rejeitar pacientes que tenham decidido não vacinar os seus filhos. E na Austrália, a ‘sanção’ pode ir mais longe: também aqui, a vacinação é uma opção dos pais, mas caso o parlamento aprove a proposta de lei, serão retirados os subsídios aos que optarem por não vacinar. O movimento antivacinação alastra-se ainda a países como Alemanha e Holanda, contrastando com o caso de Portugal, que tem (ainda) das melhores taxas de vacinação do mundo. A decisão de não vacinar as crianças deve-se a várias razões, como a falta de confiança nas vacinas. A Organização Mundial da Saúde contrapõe e explica que não passa de um mito.
SIMaria Alexandra Amaral
Mãe de três crianças, de 11, oito e cinco anos "Além das vacinas que fazem parte do planonacional de vacinação e que sinto como obrigatórias por esse motivo, várias outras existem que se encontram fora dessa obrigatoriedade e que a pediatra entende que devo dar. E se a pediatravprescreve, quem sou eu para dizer que não? É claro que existem doenças e doenças. Há aquelas doenças cuja vacina pode evitar,bmas que não são perigosas ao ponto de colocarem risco a vida da criança (exemplo: varicela), mas outras há que de tão graves podem levar a mazelas permanentes ou mesmo à morte. Penso que vacinar as crianças é a melhor forma de evitar que sejam contagiadas por determinadas doenças. O meu filho do meio, por exemplo, já teve cinco internamentos por gastroenterite (rotavírus). Por altura do seu nascimento, não se ouvia falar muito desta vacina, apesar de já existir. Por sua vez, o meu filho mais novo foi vacinado e nunca teve uma gastroenterite. Na minha opinião, as consequências da decisão de não vacinar os filhos podem tomar sérias proporções. Doenças como o sarampo e a tuberculose, por exemplo, estão espalhadas por todo o mundo e podem trazer graves consequências a quem as contrai. No entanto, é de lamentar que certas vacinas, por se encontrarem fora do plano, não tenham qualquer comparticipação do Estado e só estejam ao alcance de algumas famílias, deixando de fora inúmeras crianças que, naturalmente, estarão mais vulneráveis a contrair determinadas doenças."

NÃO Ana Lourenço
30 anos, mãe de uma criança com três anos
"A minha filha só recebeu a BCG. Estava ainda no hospital. Na altura, ainda não estava muito segura sobre o que fazer. A VHB foi a primeira vacina que decidimos não administrar por ter um risco de contágio mínimo na infância. Depois, quanto mais pesquisei mais difícil se tornou vacinar, mas é uma decisão complexa e solitária. Por um lado, estão os ingredientes incluídos nas vacinas e os seus possíveis efeitos secundários. Por outro, o facto de o processo de imunização não acontecer de forma natural. E ainda o perigo de sobrecarregarmos um sistema imunitário imaturo com uma diversidade de agentes infeciosos, o que dificilmente ocorreria naturalmente. Claro que reconheço que existem riscos em não vacinar. O que tentamos fazer é manter a criança saudável, de forma a estar o mais apta possível a lidar com a doença, e acredito que factores como a amamentação e nutrição são fundamentais. Também sabemos que a maioria destas doenças já estava em declínio antes da introdução das vacinas, sobretudo graças ao saneamento básico. A minha filha tem quase três anos e tem sido bastante saudável. Pessoalmente, não tive muitos problemas por não vacinar. Vivemos na Noruega e, embora na generalidade os médicos não concordem, respeitam a decisão. Pelo contacto que tenho com outros pais nas mesmas circunstâncias em Portugal, a pressão social é maior."

Por Paula Cristovão Santos
Publicado originalmente na Máxima de Abril de 2015 (edição 320).
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