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Solidão poderá ser pior para a saúde do que a obesidade

Um novo estudo americano mostra que a solidão pode ter consequências mais graves do que a obesidade.
Por Margarida Ferreira, 14.08.2017

É um dos desafios do século XXI: saber contrariar a solidão e os seus efeitos, capazes de afetar gerações e classes sociais. Agora, confirma-se o que já parecia quase certo: o isolamento social pode provocar graves problemas na saúde e aumentar o risco de morte prematura. Alguns investigadores americanos conduziram um estudo, Social Relationships and Mortality Risk, que diz que as pessoas solitárias têm um risco de morte prematura 50% superior ao das pessoas que mantenham boas relações sociais. Este é um valor muito alto que chega até a ser superior a outros problemas de saúde, como a obesidade, que aumentam o risco de morte prematura em apenas 30%.

Este é um problema muito comum nos mais velhos. De acordo com uma campanha contra a solidão na terceira idade, 17% dos idosos vê a família, vizinhos e amigos uma vez por semana, mas um em cada dez idosos passa mais de um mês sem ver alguém. Para Julianne Holt-Lunstad, professora de Psicologia na Universidade Brigham Young (Utah) e coautora deste estudo, cada pessoa deve preparar-se melhor para a reforma, tanto financeira como socialmente, tendo em conta que o ambiente de trabalho é, muitas vezes, o seu único local de convívio. Para preparar uma velhice saudável e social é necessário antecipá-la e programá-la.

Apesar de afetar mais a população mais velha, este é um problema que pode surgir em qualquer idade. Na adolescência, a solidão pode provocar consequências graves que afetarão o futuro, por isso, para alguns investigadores, é importante que as sociedades criem mecanismos que a contrariem. As escolas devem incentivar as crianças a saber interagir socialmente, criando espaços que encorajem isso mesmo, como centros recreativos ou jardins comunitários.

Também na idade adulta a solidão pode provocar problemas de saúde sérios. Um estudo recente da Universidade de York percebeu que o isolamento provoca um aumento de 30% de risco de sofrer um ataque cardíaco. No entanto, as razões que expliquem este fenómeno continuam desconhecidas.

O estudo Social Relationships and Mortality Risk foi apresentado no encontro anual da Associação Americana de Psicologia, em Washington.

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