Família

Nenhuma criança deve crescer sozinha

"Como é que sabes que os teus se preocupam realmente contigo?" Sabia que 1 em 10 crianças não consegue responder a esta pergunta? Veja a campanha que a Aldeias de Crianças SOS fez para assinalar o Dia Internacional da Convenção dos Direitos da Criança.
Por Máxima, 21.11.2016
Existem 2 biliões de crianças em todo o mundo. Destas, estima-se que 220 milhões, ou seja, uma em cada dez, vivam sem os cuidados de uma Mãe ou Pai. No Dia Internacional da Convenção dos Direitos da Criança, as Aldeias de Crianças SOS lançam, em mais de 60 países, uma campanha mobilizadora, para enfrentar o grave problema do elevado número de crianças que crescem sozinhas, sem cuidados parentais.

A mensagem de alerta e sensibilização é transmitida através de um vídeo que apela a uma ação conjunta. Porque como dizia o fundador das Aldeias de Crianças SOS, Hermman Gmeiner, "todas as crianças são nossas crianças."
Algumas crianças são abandonadas pelos pais, outras rejeitadas pelas suas comunidades e outras ainda negligenciadas pelos Estados. Se os direitos e necessidades de uma criança não são assegurados, então a criança está sozinha.
Estas crianças e jovens podem já ter um ambiente familiar, mas correm o risco de o perderem, ou podem não ter família e apresentar essa necessidade. As Aldeias de Crianças SOS acreditam que todas as crianças e jovens necessitam de um ambiente familiar acolhedor e protector e de uma comunidade de apoio que valorize e potencie os seus talentos e competências, que as respeite enquanto pessoas e que as eduque visando a sua integração social positiva.

As estatísticas mostram que este número de crianças sem cuidados parentais está a aumentar. Em Portugal, em 2015, foram retiradas às suas famílias 8.600 crianças, mais 130 que no ano anterior. Para além destes casos, milhões de outras crianças em todo o mundo estão em risco de perder os cuidados parentais, devido a fatores de risco como a pobreza (49% dos casos), problemas de saúde de um dos progenitores e outros fatores.
 
As Aldeias de Crianças SOS trabalham para que as crianças cresçam em família, com amor, respeito e dignidade. Os principais programas SOS são nas áreas da Prevenção e da Proteção, que representam 61% de todo o trabalho da organização e que, em 2015, ajudaram mais de 553.000 crianças.
Na área da Prevenção, o Programa de Fortalecimento Familiar intervém com famílias biológicas com crianças em risco e capacita-as para um cuidado protetor do bem-estar das suas crianças, prevenindo a necessidade de institucionalização.

Quando a criança não tem família ou é retirada da família de origem, existe o Programa de Proteção que consiste na recriação de famílias SOS, nas mais de 500 Aldeias SOS em todo o mundo.  As crianças são integradas numa casa, com uma mãe e irmãos, onde reconstroem relações familiares e de amizade. As Aldeias de Crianças SOS não separam irmãos biológicos.

Em Portugal existem mais de 250 crianças apoiadas pelos programas das Aldeias de Crianças SOS. Mas qual o impacto desta intervenção? Quando uma criança ou jovem que está sozinho recebe o cuidado e apoio que necessita e a que tem direito, ela deixa de estar sozinho, e essa mudança é visível – nos seus olhos, sorriso, atividades, resiliência e no desenvolvimento da sua vida.
A nível internacional, as avaliações de impacto mostram que cerca de 80% das crianças que passaram por programas SOS são bem-sucedidas em muitas dimensões da vida, incluindo a segurança alimentar, a saúde, educação, inclusão social e bem-estar social e emocional.

"Se um destes pontos estiver em falta", segundo Luís Cardoso Meneses, Secretário-geral das Aldeias de crianças SOS de Portugal, "há consequências para o desenvolvimento psicológico, emocional e mental da criança. É como uma mochila que eles têm que levar para o resto das suas vidas e quanto mais grave a situação, mais pesada a mochila. Todos os pais sabem que criar uma criança é um enorme desafio, em especial quando se deparam com situações de pobreza, depressão, doença ou violência doméstica. A real ameaça de uma espiral descendente na situação de uma família vulnerável muitas vezes resulta em crianças que perdem os cuidados de que necessitam ou crescem sozinhas e extremamente vulneráveis. São estas situações que as Aldeias de Crianças SOS querem ajudar a erradicar totalmente."
Em Portugal, já cresceram mais de 500 pessoas nas três Aldeias SOS, nos últimos 50 anos. Atualmente, estão acolhidas cerca de 120 crianças, em 17 casas, entre as quais existem 28 fratrias, e com média de idades de 14 anos. A taxa de sucesso escolar das crianças e jovens acolhidas no nosso país é de 88%, estando 92% a frequentar a escola e 7% em busca de emprego ou já a trabalhar. O apoio regular e próximo de todos permitirá não só garantir a sustentabilidade financeira dos programas das Aldeias de Crianças SOS e assumir os compromissos atuais de vida com todas as crianças, jovens e famílias apoiadas, mas também chegar a mais crianças abandonadas ou negligenciadas que precisam de uma intervenção urgente.
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