Família

Amor a dobrar

No mês em que se celebra o Dia Mundial dos Avós, convidámos três rostos bemconhecidos a apresentarem-nos a avó com quem partilham uma relação especial e a contarem-nos a história de amor incondicional que as une.
Por Máxima, 27.07.2016
Marta Varatojo (33 anos) & Maria da Conceição (81 anos)

No dia em que Marta recebeu o convite da
Máxima estava com a avó, que depressa lhe suspirou: "Ai as coisas em que tu me metes!" Mas o que é que uma avó não faz por uma neta? "A minha avó é a pessoa mais altruísta que eu conheço. Está sempre pronta para ajudar em tudo." E daí a poucos dias abriram juntas as portas de casa da avó, em Leiria, o único sítio onde fazia todo o sentido encontrá-las juntas. Desde pequenas que Marta e as irmãs
começaram a passar as férias de verão com os avós, em Leiria. "Acabávamos as aulas e queríamos vir no próprio dia. Com uma vida que era mesmo daquelas férias boas, com toda a liberdade." Ao todo são cinco netos e a avó deixa bem claro que gosta de todos. "Eu facilitei muito. Eles não viviam comigo, vinham cá passar férias, então eu ia-lhes ralhar? Deixava andar os miúdos, queria lá saber. Eles cresceram comigo. Até há quatro anos tínhamos a casa na praia e eles vinham sempre e já não eram crianças. Foi uma coisa que me deu muito prazer: eles terem passado tanto tempo connosco."
Mas a relação entre Marta e a avó estreitou-se ainda mais há alguns anos, quando decidiu mudar de vida. "Eu viajava muito, estava a pagar uma renda de uma casa em Lisboa que quase não usava e então tive uma iluminação: vou mudar as minhas coisas todas para casa dos meus avós e assim tenho sempre um pouso", conta a Marta. E assim foi. "Estava numa fase da minha vida em que sentia que tinha de começar a ganhar raízes e andava um bocado perdida. Não estava a construir nada e nunca me comprometia com as coisas em que me metia e depois tudo se encaixou." Filha de duas figuras bem conhecidas da macrobiótica em Portugal, Francisco e Geninha Varatojo, Marta abraçou a culinária macrobiótica como o seu próximo projeto e abriu, em Leiria, um espaço onde vendia refeições take away e dava aulas de culinária. "Foi o meu primeiro compromisso, eu digo que
foi a minha faculdade." Seguiu-se O Livro de Cozinha da Marta – Uma forma de Amar e muitos momentos a duas,
como as manhãs na cozinha a tratar das caixas de comida recicladas que os clientes entregavam. Marta recorda: "São momentos que guardo com muito carinho. Ela de pijama e de lenço na cabeça, a ajudar-me…" Ambas concordam que o facto de viverem juntas trouxe novos contornos à relação. Gostam de ir juntas ao mercado e, por casa, quando Marta está pelo sótão, onde se instalou, "eu vou para o pé dela fazer disparates", diz a avó. Marta tem 33 anos e a avó tem 81. Acham-se parecidas, no olhar e no feitio, e até concordam que às vezes "vão aos arames" uma com a outra.
E num ambiente tão familiar, nem o Ginger, o gato da Marta, podia faltar. Foi com a dona para Leiria e por lá ficou, também ele cheio de mimos, quase como um sexto neto. Hoje, a Marta já não vive com os avós, mas mantém os cursos de culinária em Leiria e assim tem uma desculpa para lá voltar todas as semanas. Contudo, numa altura em que o avô tem estado doente, a família apoia-se como, garantem avó e neta, faz sempre e Marta voltou para Leiria para não deixar a avó sozinha. "Tem um feitio um bocadinho torcido, mas está sempre pronta para dar o seu melhor." Haverá, então, algum papel reservado às avós no manual da família? "Não sei. Isto de ajudar os netos deu-me um prazer imenso", resume a avó São.

Inês Folque (29 anos) & Ana Mafalda Veneza (89 anos)
Além da relação familiar, Inês Folque e a avó são duas gulosas assumidas e apontam as idas aos gelados Santini como um dos melhores programas a duas. Conta Inês que "é muito bonito, porque nós sempre fomos avó e neta e, no entanto, a avó não é a mãe biológica do pai. Mas é como se fosse". Viveram sempre na mesma casa (em pisos diferentes), até a avó se ter mudado há cerca de nove anos. "Muitas vezes a minha mãe precisava que alguém tomasse conta de nós quando ela não estava e havia sempre a avó." Da infância, Inês lembra a avó de forma especial. "Vi-a como uma senhora, porque ela era muito imponente para mim. Achava que era uma mulher linda como eu um dia queria ser." Além dos gelados e de passeios, não podia faltar a tradição do chá da
tarde, que a avó tanto estimava. "Já há uns anos, quando a minha avó ainda vivia na outra casa em Cascais, tínhamos este hábito a que eu achava muita graça, o tea time."

A avó Fafá, como é tratada, tem seis filhos, 15 netos e também já tem bisnetos. Numa família tão grande, conta a neta, eram as almoçaradas ao domingo que juntavam toda a família numa grande confusão. "Tenho muitas e boas recordações. Houve sempre muito este sentimento de família, de nos reunirmos muito para não perdermos os laços e para também não perdermos esta intimidade que temos todos uns com os outros." A avó continua a ser o núcleo da família, sobretudo hoje em dia. "Quando o meu avô também cá estava eram os dois mas, desde que o meu avô se foi embora, sem dúvida que é a matriarca da família e o ponto de referência de nós todos. Temos todos uma ligação muito especial com ela e muito diferente cada um. Acho que isso é muito interessante e engraçado. Temos cada um o seu lugar especial." Profissionalmente, Inês está neste momento a apresentar os programas E Especial (na SIC) e o Factor K (na SIC K). A nível pessoal, está a preparar o casamento. A viver uma altura importante da vida, a apresentadora reforça o multifacetado e importante papel da avó numa família: "Também quando é preciso dar bons conselhos, quando é preciso estar lá, quando as coisas não estão a correr bem e nós não queremos falar com os nossos pais sobre determinados assuntos."

Sofia Cerveira (41 anos) & Conceição Fonseca (89 anos)

Sofia está grávida. Espera a chegada de uma menina no próximo mês de agosto. "Tenho a sorte da minha filha ainda poder conhecer a minha avó que é das pessoas mais importantes da minha vida." Foi a primeira neta desta avó materna que desde cedo esteve na linha da frente. Quando tinha apenas três anos, Sofia foi operada ao pulmão direito e, conta a avó, que com a mãe de Sofia grávida era ela quem a acompanhava com o pai aos tratamentos. Acrescenta: "Sempre me lembro de ter havido uma ligação, mas não é só contigo, não te estejas a babar…" Porque afinal esta avó tem de se dividir por três netos. Sofia tem dois irmãos, Rodrigo e Maria, mas, embora agora esteja em mudanças, foi ela quem viveu com a avó nos últimos anos. Por isso, conclui: "Há um contacto mais direto, travam-se outras experiências, vivem-se outras histórias, criam-se outros momentos diferentes de quando se vai fazer uma visita a alguém." Juntas gostam de partilhar os serões e as refeições e esta avó, além de ser uma grande cozinheira, é também uma grande doceira. Mesmo aprendendo sozinha, vender bolos foi sempre o seu trabalho. Teve ainda a seu cargo os bolos de aniversário dos netos que, garante Sofia, era cada um "mais espetacular que o outro". "A avó é de uma sabedoria muito grande, aliada a um sentido de humor. Não é a típica avozinha, é uma pessoa que, mais do que a avó, é uma grande amiga a quem eu posso confidenciar o que eu quiser, não me cobra nada, não é uma pessoa com preconceitos, portanto eu estou completamente à vontade com ela. E é tão grande essa liberdade que quando depois o amor chega é ainda maior. Eu sei que posso contar com a minha avó e a minha avó sabe que pode contar comigo." Mesmo agora, com 89 anos, a avó Conceição não diz que não a um desafio para agradar aos netos. "Tudo o que elas queiram e precisem de mim, estou sempre pronta. Às vezes posso não estar muito convencida, mas gosto muito de alinhar." E então surge a pergunta se uma avó tem um papel especial dentro de uma família? Ao que a neta responde: "Então não tem? E esta avó é um pouco a base de todos nós. É a nossa grande preocupação. Toda a gente a adora."
Era na casa da avó que se juntava toda a família para os almoços de domingo, em Cascais. A vila e as suas ruelas típicas têm um grande valor emocional, conta Sofia, já que foi aí que ela e os irmãos passaram toda a infância. "A
casa da minha avó era o pouso onde vínhamos fazer os intervalos do liceu, vínhamos ter com a minha avó ao final do dia e íamos com ela para casa. Íamos para todo o lado a pé. Brincávamos no jardim com o meu avô. E antes de mim, com a minha mãe, já era assim." Estamos habituados a ver Sofia na televisão, é um dos rostos mais simpáticos da SIC. A notícia da gravidez foi, para ela, uma surpresa e também um motivo de grande felicidade. "O facto de já não esperar dar-lhe um bisneto veio reforçar um bocado esta esperança de vida, portanto a expectativa é muito grande." E diz a avó que "40 anos ainda é uma idade muito boa para ser mamã. Já tem mais experiência, já aturou os sobrinhos". Com a chegada da bebé vão ser quatro gerações de mulheres unidas pelos afetos. "No meu caso, tenho uma mãe que é filha da minha avó, portanto é igualzinha, sou uma sortuda. Tenho
este amor a dobrar e, por isso, cada uma tem um papel distinto na minha vida. Há uma aliança entre as três que se vai prolongar pela minha filha e quem me dera vir ser a mãe guerreira e porto seguro que a minha mãe é para mim e que eu sei que a minha avó foi para a minha mãe."

Por Carolina Carvalho // Fotografia de Gonçalo F. Santos @ Edição de Julho (nº 334)
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