Saúde

Afinal, o tempo não cura um coração partido

Quem o diz é um novo estudo apresentado recentemente na Califórnia.
Por Ângela Mata, 15.11.2017
Um repentino e sério problema causado por stress emocional pode, a longo prazo, levar ao mesmo tipo de consequências de um ataque de coração. A conclusão é de um estudo levado a cabo pela British Heart Foundation, apresentado recentemente nas American Heart Association Scientific Sessions, em Anaheim, na Califórnia.

A ‘síndrome do coração partido’ tem o nome científico de Takotsubo syndrome e afeta cerca de 3 mil pessoas por ano no Reino Unido. Até há bem pouco tempo os médicos achavam que os pacientes recuperavam na totalidade rapidamente e até sem qualquer tipo de tratamento específico, mas essa ideia agora é refutada.

Os investigadores da Universidade de Aberdeen acompanharam 37 pessoas que sofrem desta síndrome ao longo de dois anos. Através de testes cardíacos, a equipa de investigação deu conta que as funções cardíacas dos pacientes eram frequentemente afetadas por um acontecimento. Os investigadores repararam também que, de vez em quando, os pacientes tinham sintomas de falhas cardíacas muito idênticas às de pacientes que já sofreram ataques cardíacos.

Dana Dawson, fundadora da British Heart Foundation e investigadora da Universidade de Aberdeen, revelou: "É cada vez mais real e percetível que a síndrome takotsubo é muito mais comum do que alguma vez pensámos. (…) A nossa investigação demonstra que o takotsubo precisa de ser tratado com a mesma urgência que qualquer outro problema de coração e que as pessoas que padecem da síndrome deverão necessitar de tratamentos contínuos por causa destes efeitos a longo prazo. O nosso próximo passo será identificar tratamentos que se adequem."

Jeremy Pearson, professor e diretor na British Heart Foundation, afirma também que o takotsubo "é uma doença devastadora que pode atacar qualquer pessoa saudável. Chegámos a pensar que os seus efeitos seriam temporários, mas agora apercebemo-nos de que continua a afetar as pessoas para o resto das suas vidas".

Julia Samuel, autora do livro Grief Works,referiu relativamente a este assunto: "Ao longo dos últimos 25 anos de trabalho com aqueles que enfrentam o luto de alguém que amam, cada uma dessas pessoas tem a sua versão de me dizer ‘o meu coração fisicamente dói’ ou ‘sinto-me de coração partido’. Isto é algo universal em todas as culturas, géneros e crenças religiosas."

Na fotogaleria em cima, recordamos alguns dos mais emblemáticos filmes que nos deixaram ligeiramente de coração partido pelas histórias das personagens que, de alguma forma, ficaram sem o seu grande amor.  

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