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Zadie Smith acha que passamos demasiado tempo ao espelho

A escritora inglesa contou como incentivou a filha a passar menos tempo a olhar para si própria ou a maquilhar-se.
Por Rita Silva Avelar, 28.08.2017
"Estás a perder tempo e no futuro o teu irmão não o vai desperdiçar como tu. Cada dia da sua vida vai vestir uma camisola, em frente ao espelho, sairá porta fora sem se importar, e tu levarás uma hora e meia a maquilhar-te", terá dito Zadie Smith à filha de sete anos – um discurso que vinca bem a opinião da escritora inglesa acerca do tema. Autora de livros como White Teeth, The Embassy of Cambodia ou o recém-lançado Swing Time, Zadie Smith, na lista de candidatos ao Man Booker Prize, diz que percebeu a necessidade de aligeirar a importância da maquilhagem na vida da filha de apenas sete anos depois de a ver a passar demasiado tempo em frente ao espelho.

A revelação foi feita pela própria durante o festival literário de Edimburgo, num discurso em que teceu duras críticas a alguns aspectos e obsessões da indústria da beleza e revelou que, para dar o exemplo à filha, passou a maquilhar-se em apenas 15 minutos. "Pelo que sei sobre o tema contouring, creio que uma hora e meia é demasiado. Para ela [a filha] foi mais prático entendê-lo assim do que se optasse por dar-lhe uma grande lição sobre beleza feminina. Passou a ser uma regra prática e ela acaba por observar quanto tempo eu me demoro a arranjar para sair", explicou. O tema recorda-nos um manifesto que surgiu em 2012 e que se tornou numa tendência: não se olhar ao espelho durante dias, meses, ou anos como forma de reforçar a autoconfiança e aprender a gostar da própria imagem de forma incondicional.

A postura da escritora foi elogiada em várias publicações inglesas incluindo o diário The Guardian, que relembrou um estudo de 2016 que conclui que as britânicas passam em média cerca de 38 minutos por dia em frente ao espelho, o que somado perfaz quatro horas e meia por semana e dez dias (e noites) por ano dedicadas a esta espécie de autocontemplação. Para os leitores de Smith, esta visão não é novidade, já que em vários livros deixou claro que para si, a beleza feminina é uma "forma de poder" e uma "capital cultural" – ideias que vinca no livro que lançou em 2003, On Beauty.

Na sua mais recente obra, Legendary Authors and the Clothes they wore (da HarperCollins)o dramaturgoTerry Newman refere-se a Smith como a "Kate Moss da Literatura". Não é difícil perceber porquê. De ideias fortes acerca de temas fracturantes, Zadie Smith é também uma das escritoras (e mulheres) com mais estilo. Consta quase sempre na lista anual das mais bem vestidas da revista Vanity Fair, é elogiada por publicações como a Vogue inglesa, e as marcas Miu Miu, Céline ou Marni estão na sua lista de preferidas. 
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