
AJUDÁ-LO PORQUÊ?
Porque o tímido está numa posição confortável: é apreciado pelos adultos, não corre riscos, remete-se à passividade. Em suma, não tem nenhuma razão para mudar!
Porque a timidez é cada vez mais reconhecida como um pequeno handicap. Para ter êxito, é preciso ser-se um líder...
AJUDÁ-LO COMO?
• Treinando-o no plano emocional... Dissecamos as suas sensações e emoções. “Não queres telefonar? Porquê? Tens medo? Mas medo de quê? De ser rejeitado?” “És tímido. Quando? Com quem? Comigo também?” Seguimos com ele o fio das emoções até chegarmos a respostas precisas. Assim é mais fácil distanciarmo-nos delas.
• Incitamo-lo a fazer coisas sozinho desde a mais tenra idade. Se nos substituirmos a ele, sentirá que não é capaz de fazer nada sem ajuda, sem uma “bengala”.
O QUE DIZEM OS ESTUDOS
• Os estudos revelam que a timidez é uma característica possível de ser mudada, ao contrário do que o senso comum diz
• De acordo com um estudo de 2007 da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos da América, a chave desta mudança está no relacionamento da criança com a mãe • A progenitora tem um papel essencial na timidez do filho, pelo que deve estimulá-lo a fazer amigos. No entanto, deve compreender que esta inibição, num grau razoável, não é doença
• Outras pesquisas já haviam mostrado que crianças tímidas, filhas de pais protectores, têm grande probabilidade de ser adultos retraídos
• Também se verificou que bebés que tinham entrado na creche nos primeiros meses de vida, quando crescidos tinham mais capacidade de vencer a timidez do que os que tinham ficado em casa com a mãe. J.S. |
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4 PERGUNTAS A
MELANIE VIOLA TAVARES, PSICÓLOGA CLÍNICA
1. O que é a timidez infantil?
A timidez infantil é, acima de tudo, um mito. Pode dizer-se que é uma situação especial em que as crianças por vezes se vêem ‘embrulhadas’, que lhes causa dificuldade e da qual têm dificuldade em sair.
2. Tem alguma relação com a falta de auto-estima ou nem sempre?
Não creio que possamos estabelecer uma relação do tipo causa-efeito entre timidez e baixa auto-estima, e vice-versa. A baixa auto-estima surge quando as crianças não levam em linha de conta os seus próprios interesses, quando têm uma ideia pouco valorizada sobre si próprias. Ao contrário da timidez, que se trata de uma inibição e que no limite pode trazer desvantagens, a baixa auto-estima é algo preocupante que deve ser analisado quanto mais cedo melhor.
3. Qual a origem desta inibição?
A timidez começa por acaso, normalmente em resposta a uma situação social em que a criança se sente condicionada, e para a qual é provavelmente apanhada desprevenida, no meio de pessoas com quem não tem grande à-vontade. Por momentos, a criança fica incapaz de reagir, de dizer o que quer que seja, podendo ficar condicionada e passar a apresentar este tipo de inibição em situações similares futuras. É preciso ter presente que a principal razão da timidez persistir é a atenção exagerada que os adultos lhe dão. As crianças vêem o sintoma reforçado e têm maior dificuldade em comportar-se normalmente.
4. Os pais devem interferir, ajudando os filhos a superar este problema, se é que é sempre um problema?
Os pais não podem forçar os filhos a serem extrovertidos, há crianças que são naturalmente mais calmas e reservadas, têm é de os ajudar a ser mais sociáveis. Ou seja, devem explicar-lhes que quando alguém fala com eles devem cumprimentar e olhar para a pessoa, dizer ‘olá’ e se possível o nome. Este tipo de incentivo por parte dos pais deve continuar enquanto a timidez persistir. J.S. |
• Confiamos-lhe tarefas práticas, começando pelas mais fáceis: telefonar aos pais de um amigo a convidá--lo para ir lá a casa, ir comprar pão ou o jornal, cumprimentar uma senhora que encontramos na rua olhando-a nos olhos, etc.
• Elogiamo-lo justificadamente e em relação a qualidades precisas. “A tua tarte de maçã está uma delícia”, “Quando foste cumprimentar a senhora fiquei muito orgulhosa de ti”, “Nem queria acreditar quando trepaste mesmo até ao alto da aranha”... Os elogios específicos ajudam-no a afirmar a sua identidade e a ganhar autoconfiança. Deve evitar-se a lisonja vaga, pouco credível (“Tem confiança em ti, és genial!”), que podem, pelo contrário, fazê-lo duvidar das suas capacidades.
• Antecipamos positivamente praticando o brainstorming negativo (cenário de catástrofe). Exem¬plo: o seu filho está convidado para uma festa de aniversário? Peça- -lhe que se imagine a chegar sem presente, a ter de se despir à frente de toda a gente, a cantar uma canção, etc. Ele distanciar-se-á assim dos seus temores e angústias e tomará consciência da sua imaginação.
• Falamos de nós e das nossas próprias dificuldades quando éramos pequenas. É uma outra forma de o ajudar a afirmar-se por diferenciação. E de lhe explicar que se pode evoluir.
• Respeitamos os seus limites e o seu espaço. Uma criança privada de espaço pessoal terá tendência para se fechar em si própria. Um quarto ou mesmo uma área de um quarto ajuda-a a afirmar-se, a orientar-se, a descontrair... Analogamente, é importante respeitar o seu corpo (bater à porta antes de entrar na casa de banho, deixá-lo vestir-se sozinho ou escolher a roupa).
AS PEQUENAS FRASES LETAIS
“És tão tímido!” Diga não aos rótulos que se colam e não saem mais. E, sobretudo, ao tom de censura: não acrescentemos um sentimento de culpa à sua reserva. Dizer “na nossa família somos todos assim” é impor-lhe uma lealdade inconsciente à cultura familiar, é proibi-lo de evoluir. “Pára de corar/de gaguejar/de te contorceres”: é francamente constrangedor – sobretudo à frente de terceiros.
QUE DESPORTO PARA QUE PERSONALIDADE
• Os desportos colectivos (basquetebol, futebol, etc.) ajudam-no a encontrar o seu lugar no grupo. Terá um papel de atacante, de defesa, etc. Para aqueles que se fecham em si próprios e não participam nas aulas.
• Os desportos “cara a cara” (esgrima, ténis, badmínton) obrigam a uma forma de agressividade em relação ao outro. Para aqueles que têm dificuldade em comunicar e em exprimir as suas emoções.
• Os desportos de endurance (natação, jogging, escalada, pedestrianismo) exigem que vá até ao limite das suas possibilidades. Para aqueles que têm falta de confiança em si próprios.
Uma coisa é certa: não o lance às feras. Se ele não tem mesmo vontade de praticar um desporto, não o force a pretexto de que isso lhe vai fazer bem. Inscreva-o em actividades em que ele é bom: será de longe a melhor forma de promover a sua autoconfiança. |
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